União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

Article in other languages:

Союз Советских Социалистических Республик
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

Federação

1922 – 1991
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
Пролетарии всех стран, соединяйтесь!
(em russo Trabalhadores de todos os países, uni-vos!)
Hino nacional
A Internacional (1922-1944)
Hino da União Soviética (1944-1991)
Hino da União Soviética (1922-1944)

Hino da União Soviética (1944-1991)
Localização de União Soviética
Continente Eurásia
Capital Moscou
Língua oficial Russo e outras 14 línguas
Governo Estado socialista
Secretário-geral do PCUS
 • 1922-1924 Vladimir Lenin
 • 1924-1953 Josef Stalin
 • 1953-1964 Nikita Khrushchov
 • 1964-1982 Leonid Brezhnev
 • 1982-1983 Yuri Andropov
 • 1984-1985 Konstantin Tchernenko
 • 1985-1991 Mikhail Gorbatchov
História
 • Tratado da URSS 30 de Dezembro de 1922
 • Vitória sobre a Alemanha 9 de Maio de 1945
 • Lançamento do Sputnik 1 4 de Outubro de 1957
 • Dissolução 9 de Dezembro de 1991
População
 • 1991 est. 293 047 571 
Moeda Rublo
Precedido por
Sucedido por
Flag RSFSR 1918.svg RSFS da Rússia
Flag of Transcaucasian SFSR.svg Transcaucásia
Flag of Ukrainian SSR.svg RSS da Ucrânia
Flag of the Byelorussian SSR (1919).svg RSS da Bielorrússia
Flag of Poland.svg Segunda República Polonesa
Comunidade de Estados Independentes Flag of the CIS.svg
Estónia Flag of Estonia.svg
Letónia Flag of Latvia.svg
Lituânia Flag of Lithuania.svg
Rússia Flag of Russia.svg
Geórgia Flag of Georgia.svg
Membro de: SDN, ONU, Pacto de Varsóvia, COMECOM

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (em russo: Союз Советских Социалистических Республик - CCCP, transl. Soyuz Sovetskikh Sotsialisticheskikh Respublik, pronuncia-se Sayuz Savietskikh Sotsyalistitcheskikh Respublik), também conhecida por União Soviética[1] ou simplesmente URSS, foi um país de proporções continentais, declaradamente socialista que existiu na Eurásia de 1922 a 1991.

Emergindo do Império Russo após a Revolução Russa de 1917 e a Guerra Civil Russa (1918–1921), a URSS foi uma nação constituída de várias repúblicas soviéticas, porém a sinédoque Rússia — após a RSFS Russa — é o maior estado constituinte e o mais populoso, que é comumente usado referindo-se ao Estado por completo. Os limites geográficos da União Soviética variaram com o tempo, porém após últimas as maiores anexações territoriais dos países bálticos, do leste polonês, da Bessarábia, e alguns outros territórios durante a Segunda Guerra Mundial, de 1945 até sua dissolução, as fronteiras, aproximadamente, correspondem às do Império Russo, com exclusões da Polônia e da Finlândia.

Como o maior e mais antigo Estado constitucionalmente socialista em existência, a União Soviética tornou-se o modelo primário para futuras nações socialistas durante a Guerra Fria; o governo e a organização política do país foram definidos pelo único partido político, o Partido Comunista da União Soviética.

De 1945 até sua dissolução em 1991 — o período conhecido como Guerra Fria — a União Soviética e os Estados Unidos da América foram as únicas duas superpotências mundiais que dominavam a agenda global de política econômica, assuntos externos, operações militares, intercâmbios culturais, avanços científicos, incluindo o pioneirismo na exploração espacial, e esportes (incluindo os Jogos Olímpicos e vários outros campeonatos mundiais).

A União Soviética, durante a Guerra Fria, havia crido um poderoso bloco socialista que se estendia da Europa Oriental até a América, passando pelo Extremo Oriente, Sudeste Asiático, Oriente Médio e pela África. Esse bloco era a área de influência direta soviética e se submetia aos comandos econômicos, políticos e militares de Moscou.

Inicialmente criada como a união de quatro Repúblicas Soviéticas Socialistas, a URSS cresceu até chegar a conter 15 "repúblicas unidas" em 1956: RSS da Armênia, RSS do Azerbaijão, RSS da Bielorrússia, RSS da Estônia, RSS da Geórgia, RSS do Cazaquistão, RSS do Quirguize, RSS da Letônia, RSS da Lituânia, RSS da Moldávia, RSFS da Rússia, RSS do Tadjique, RSS do Turcomenistão, RSS da Ucrânia e RSS do Uzbequistão.

A Federação Russa é a sucessora da URSS. O país é membro líder da Comunidade dos Estados Independentes.

Índice

Repúblicas soviéticas

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Repúblicas da União Soviética
Repúblicas da URSS
RSFS Transcaucasiana (1922-36) RSS da Abecásia (1921-31) RSS Carelo-Finlandesa (1940-56)
RSFS da Rússia - 11 RSS da Bielorrússia - 3 RSS da Ucrânia - 14
RSS do Azerbaijão - 2 RSS da Moldávia - 10 RSS do Quirguistão - 7
RSS do Tadjiquistão - 12 RSS da Armênia - 1 RSS do Turcomenistão - 13
RSS da Estônia - 4 RSS da Letônia - 8 RSS da Lituânia - 9
RSS do Uzbequistão - 15 RSS do Cazaquistão - 6 RSS da Geórgia - 5

História da União Soviética

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: História da União Soviética

A história da União Soviética começa com a Revolução de 1917 numa tentativa de implementar o comunismo a larga escala por Vladimir Lenin, até ao colapso da União Soviética em 1991, quando o seu governo centralizado foi dissolvido.

Revolução de 1905

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Revolução Russa de 1905

O ano de 1905 é considerado o prólogo da Revolução Russa. A Rússia Czarista acabara de ser derrotada numa guerra contra um Japão pequeno e tecnologicamente atrasado. A derrota abalou a popularidade do Czar Nicolau II, e a revolta interna que se seguiu serviria de precedente para a revolução de 1917.

Manifestantes marchando em direção ao Palácio de Inverno

Revolução de 1917

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Revolução Russa de 1917

O Partido Operário Social-Democrata, dividido nas correntes Bolchevique e Menchevique, em russo maioria e minoria respectivamente - iniciou a Revolução Russa em 1917, em duas etapas distintas. A queda do czar ocorreu em fevereiro, sendo instaurada então uma república cuja estrutura de poder desde cedo se dividiu entre um parlamento convencional e sovietes (conselhos) populares que não se reconheciam mutuamente. As tensões assim geradas desembocaram na Revolução de Outubro, em Novembro de 1917. Nesta revolução destacou-se Vladimir Ilitch Lenin, atuando na liderança dos bolcheviques.

O atraso da Rússia czarista pode ser evidenciado pelo calendário adotado: o juliano, em desuso no ocidente desde a adoção do calendário gregoriano no século XVI e adotado pela Rússia até fevereiro de 1918. Entre estes dois calendários há um atraso de 13 dias. Essa é a razão de que os meses em que ocorreram estes movimentos não coincidem com os nomes a eles atribuídos.

Guerra Civil

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Guerra Civil Russa

Entre 1918 e 1922, logo após a Revolução Bolchevique, teve início a Guerra Civil na Rússia, entre os revolucionários (exército vermelho) e os contra-revolucionários (exército branco), que tiveram o auxílio de tropas estrangeiras de intervenção, enviadas pela França, Reino Unido, Japão e Estados Unidos e mais 13 países. Os czaristas pretendiam acabar com o governo bolchevique e evitar que os ideais comunistas da Europa Ocidental se espalhassem. A guerra foi extremamente sangrenta, massacrou ambas as partes por três anos e acabou sendo vencida pelo Exército Vermelho. Os bolcheviques tomaram novamente o poder, organizados pelo Partido Comunista.

Esta guerra abalou ainda mais a economia russa, impedindo a implantação do socialismo.

Nova política econômica

Lenin implementou a Nova Política Econômica (NEP), que recuperou alguns traços de capitalismo para incentivar a nascente economia soviética. Desta forma, o PC russo e o governo dos sovietes pretendiam reconstruir a economia russa devastada pela invasão estrangeira e pela resistência das classes proprietárias a perda de seus incomensuráveis privilégios. A NEP, segundo Lenin, consistia num recuo tático caracterizado pelo restabelecimento da livre iniciativa e da pequena propriedade privada, admitindo o apoio de financiamentos estrangeiros. Lenin teria dito: "Um passo atrás para dar dois à frente".

Economia planificada e expurgos

Prisioneiros de um campo do gulag no trabalho, 1936-1937


No ano de 1936, o regime de Josef Stalin expulsou ou executou um número considerável de membros do Partido, entre eles muitos dos seus opositores, nos atos que ficaram conhecidos como os "Grandes Expurgos".

Apesar de tudo, eles acreditavam que este seria o caminho para o comunismo, mas o rumo dessa forma social já estava traçado de forma totalmente distinta do que Marx e Lenin pensavam, não mais sendo uma forma voltada para a dissolução do próprio Estado e das classes sociais, mas agora, o regime sob o comando de Josef Stalin, já era uma forma social voltada para a cristalização (a idéia de socialismo dentro de um só país). Entre as coisas que foram feitas com esse efeito contam-se as nacionalizações e a aniquilação física da classe burguesa que o NEP havia recriado, com recurso aos gulags (campos de trabalho na Sibéria). Alguns teóricos criticam esta forma que Stalin utilizou para liquidar a propriedade privada, por não concordarem com ela, e por acharem que ela só mancha a imagem do comunismo perante o mundo pois o mesmo efeito poderia ter sido obtido sem a aniquilação física daquela classe. O desastre e a truculência autoritária das políticas stalinistas contribuíram muito para a deturpação do conceito criado por Marx, de ditadura do proletariado.

Após as nacionalizações, a economia foi planificada, de modo a que esta pudesse tirar proveito da sua nacionalização. De 5 em 5 anos passou-se a realizar planos quinqüenais, nos quais se decidiam que fundos seriam aplicados e em que áreas.

Grande Guerra Patriótica

De 1941 a 1945, a participação da União Soviética na Segunda Guerra Mundial ficou conhecida como a Grande Guerra Patriótica, combatendo os soviéticos contra as forças invasoras da Alemanha nazi, ao lado dos Aliados ocidentais.

A Barbarossa (como foi chamada a operação de invasão da União Soviética pela Alemanha) teve início em 22 de Junho de 1941 quando três grupos de exércitos, totalizando mais de 191 divisões da Alemanha e seus aliados, atravessaram as fronteiras da então União Soviética. O Grupo de Exércitos Norte comandado por Wilhelm Ritter von Leeb tinha como objetivo ocupar as bases navais do mar Báltico e tomar Leningrado (segunda maior cidade e berço da revolução comunista - atualmente São Petersburgo) o Grupo de Exércitos Centro, comandando por Von Bock, visava avançar pela estrada de ferro de Varsóvia a Moscou ocupando as cidades de Minsk, Smolensk, Viazma e Moscou (maior cidade e capital do Poder Soviético). E o Grupo de Exércitos Sul, comandado por Gerd von Rundstedt, pretendia ocupar toda a Ucrânia (o "celeiro" da nação, pela grande produção de cereais). O avanço das tropas do Eixo foi fixado no seu avanço máximo em torno da linha que ia de Arkhangelsk ao norte e Astrakhan ao sul.

Stalin encontra Harry Truman e Clement Attlee em 1 de agosto de 1945, em Berlim, ao final da Segunda Guerra Mundial

O Exército Vermelho (assim chamado desde os tempos da guerra civil), apesar dos avisos vindos de várias fontes, foi apanhado de surpresa, fato este que possibilitou o fácil e rápido avanço das forças invasoras. Passando a surpresa inicial e arregimentado pela liderança do líder soviético Josef Stalin, os povos de todas as repúblicas soviéticas conseguiram resistir - no entanto, não sem sofrerem numerosas perdas humanas e materiais, tendo um terço do território na Europa (a mais rica e populosa) caído na mão do inimigo. Calcula-se que perto de 5 milhões de soldados do Exército Vermelho tenham sido mortos, capturados ou feridos nos primeiros 6 meses da guerra.

Apesar das significativas vitórias dos exércitos nazi-fascistas nas batalhas de Minsk, Smolensk, Viazma e Kiev, entre outras, a tenacidade da resistência dos soldados soviéticos, acrescentada pela mobilização do povo soviético diante do inimigo, fez com que a máquina de guerra nazista não alcançasse seus principais objetivos, que eram destruir o exército soviético e conquistar as principais cidades do país: Leningrado e Moscou.

A estratégia do Alto Comando Soviético (Stavka) no início facilitou a invasão, pois determinou que todas as unidades militares onde estivessem seguissem em direção à fronteira para barrar o avanço do inimigo. Com isso, as operações de cerco e destruição ficaram mais fáceis para os exércitos alemães. A partir de Outubro de 1941, com a reorganização do comando soviético, a estratégia adotada era de resistir onde era possível e retirar-se para ganhar tempo. Enquanto as operações estavam em andamento, ao mesmo tempo, iniciava-se uma grande operação de evacuação de toda a indústria e maquinaria que pudesse ter algum valor militar. O material foi transferido para os montes Urais, Ásia Central Soviética e para a Sibéria. O que era deixado para trás era destruído na retirada (a chamada "política da terra arrasada"). Enquanto isso, na retaguarda, as populações deixadas para trás organizavam grupos de guerrilha e sabotagem, prejudicando a logística das forças invasoras.

Esse nível de atrito era até então desconhecido pelos alemães (calculam-se em um terço as perdas das forças nazistas nos primeiros seis meses), que até então tinham obtido diversas vitórias (Polônia, França, Países Baixos, Bélgica, Noruega, Dinamarca, Iugoslávia, Luxemburgo e Grécia) com perdas insignificantes.

Imagens da vitória:
Em cima: soldado desfralda a bandeira soviética sobre a praça de Stalingrado. Em baixo: tropas confraternizando em meio às ruínas.

Na batalha de Moscou, os soviéticos comandados pelo Marechal Georgy Zhukov finalmente conseguiram deter os alemães. A partir de Dezembro de 1941, em pleno inverno, iniciaram uma grande contra-ofensiva que fez ruir por terra a Blitzkrieg (guerra relâmpago) nazista.

Os soviéticos conseguiram "empurrar" os alemães de volta à Alemanha para, por fim, aí derrotar os seus exércitos. Quando as tropas soviéticas estavam em Berlim, pouco antes de alcançarem Hitler, ele suicidou-se (30 de Abril de 1945).

A Guerra Fria e a União Soviética

Mapa dos países pertencentes ao Pacto de Varsóvia.

Com o final da Segunda Guerra Mundial, a Europa estava arrasada e ocupada pelos exércitos das duas grandes potências vencedoras, os EUA e a URSS. O desnível entre o poder destas duas superpotências e o restante dos países do mundo era tão gritante, que rapidamente se constitui um sistema global bipolar, ou seja, centrada em dois grandes pólos.

Os EUA defendiam a economia capitalista, argumentando ser ela a representação da democracia e da liberdade.Em contrapartida a URSS enfatizava o socialismo como resposta ao domínio burguês e solução dos problemas sociais.

Sob a influência das duas doutrinas, o mundo foi dividido em dois blocos liderados cada um por uma das superpotências: a Europa Ocidental e a América Central e do Sul sob influência cultural, ideológica e econômica estado-unidense, e a maior parte do Leste Asiático, Ásia central e Leste europeu, sob influência soviético. Assim, o mundo dividido sob a influência das duas maiores potências econômicas e militares da época, estava também polarizado em duas ideologias opostas: o Capitalismo e o Socialismo.

Mudanças políticas na Europa após 1989, incluindo a reunificação alemã

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os países europeus estavam semi-destruídos e sem recursos para se reconstruirem sozinhos, com isso as superpotências resolveram ajudar cada um de seus aliados, com objetivo de não perderem áreas de influência. Os Estados Unidos propõe a criação de um amplo plano econômico, o Plano Marshall, que tratava-se da concessão de uma série de empréstimos a baixos juros e investimentos públicos para facilitar o fim da crise na Europa Ocidental e repelir a ameaça do socialismo entre a população descontente.

A União Soviética propôs-se a ajudar seus países aliados, com a criação do COMECON (Conselho para Assistência Econômica Mútua). O COMECON fora proposto como maneira de impedir os países-satélites da União Soviética de demonstrar interesse no Plano Marshall, e não abandonarem a esfera de influência de Moscou.

Em 1949 os EUA e o Canadá, juntamente com a maioria da Europa capitalista, criaram a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma aliança militar com o objetivo de proteção internacional em caso de um suposto ataque dos países do leste europeu.

Em resposta à OTAN, a URSS firmou entre ela e seus aliados o Pacto de Varsóvia (1955) para unir forças militares da Europa Oriental. Logo as alianças militares estavam em pleno funcionamento, e qualquer conflito entre dois países integrantes poderia ocasionar uma guerra nunca vista antes.


Este cenário de tensão mundial perdurou até 1991, quando a União Soviética acabou e conseqüentemente o fim de uma grande ameaça ao capitalismo e aos Estados Unidos. A Guerra Fria durou cerca de 45 anos e durante esse período o mundo já esteve perto da Guerra Nuclear várias vezes.

"Desestalinização"

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Era Khrushchov-Brejnev

Stalin morreu em 5 de março de 1953, deixando um vazio de poder que levou a uma disputa interna no PCUS (Partido Comunista da União Soviética) pela liderança, entre Malenkov, Beria, Molotov e Khrushchov - este último vencedor. Como sucessor de Stalin, Khrushchov empreendeu uma política de denunciar os abusos do seu antecessor. Durante o Congresso de 1956 do PCUS, Khrushchov divulgou uma série de crimes de Stalin, renegando a herança do estalinismo, estabelecendo, assim, uma nova postura e criando um novo paradigma para o comunismo internacional. A propaganda capitalista se utilizou muito dos argumentos engendrados por Khrushchov para fazer frente à URSS.

Não existe consenso quanto à contagem de vítimas do stalinismo. Determinadas estatísticas afirmam que entre 20 a 35 milhões de soviéticos morreram por fome, frio ou executados em campos de concentração ou de trabalhos forçados durante a época de Stalin.[2]

Corrida espacial

Crystal Clear app xmag.pngVer artigo principal: Programa espacial soviético

Como resultado da guerra fria, a União Soviética viu-se envolvida em uma corrida pela conquista do espaço com os EUA.O programa espacial soviético começou com uma grande vantagem sobre o dos EUA. Devido a problemas técnicos para fabricar ogivas nucleares mais leves, os mísseis lançadores intercontinentais da URSS eram imensos e potentes se comparados com seus similares estadunidenses. Logo, os foguetes para seu programa espacial já estavam prontos como resultado do esforço militar soviético resultante da guerra fria. Assim, na época em que a Sputnik foi lançada, a capacidade de lançamento da URSS era de 500 kg, enquanto que a dos EUA era de 5 kg. A União Soviética foi a nação que tomou a dianteira na exploração espacial ao enviar o primeiro satélite artificial, o Sputnik, e o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin. Grande parte dos feitos espaciais da União Soviética devem-se ao talento do engenheiro de foguetes Sergei Korolev, o engenheiro-chefe do programa espacial soviético, que convenceu o líder Nikita Kruschov da importância da conquista do espaço.

Acoplagem das naves Apollo e Soiuz: Em 1975, por conseqüência da distensão promovida por Brejnev, a corrida espacial se encerrava, dando lugar a um progresso científico espacial comum.

Anos Brejnev: O retorno do Stalinismo, o Progresso Econômico e a Estagnação

A política de Brejnev

A deposição de Khrushchov e a posse de Leonid Brejnev representaram a volta da burocracia no poder, burocracia esta que existia na União Soviética desde os anos 30, mas que foi camuflada por Khrushchov para não se assemelhar a Stálin.[3]
Brejnev desenvolveu a política de Brejnevismo, uma política neo-stalinista, que pretendia manter a União Soviética como eixo socialista no mundo, esta política era caracterizada stalinista por manter a hegemonia socialista, promover o culto da personalidade e manter uma burocracia na política, burocracia que, segundo Brejnev era impossível de remover sem apelar para meios utópicos.[4]

Erich Honecker e Leonid Brejnev recebem flores - Durante os anos Brejnev, as relações entre a Rússia e a Alemanha nunca estiveram tão cordiais e próximas.

Segundo ele, cada país deveria se unir e seguir um eixo comum: o caminho do socialismo para alcançar o comunismo, para ele, se cada país seguisse um caminho distinto, o comunismo nunca seria alcançado, mais tarde, Mikhail Gorbachov faria justamente isto, permitiria que cada país seguisse seu caminho, e o resultado disto foi o desmoronamento do socialismo nestes países, o que demonstra que a teoria de Brejnev é correta.[5]
Brejnev tentaria reabilitar o nome de Stálin, que não era pronunciado pelos líderes soviéticos havia quase dez anos, mas não conseguiu, uma vez que as autoridades e o povo ficaram "chocados" com o que dissera Khrushchov a respeito de Stálin, mas a simbologia comunista na época de Brejnev, incluindo propagandas socialistas, paradas e desfiles militares e o próprio culto à personalidade.
Mesmo assim, fez uso de algumas práticas, desde o culto à personalidade até as táticas de combate, de qualquer forma, o seu regime político e de seus dois sucessores tiveram características stalinistas, entre elas a grande atividade da espionagem, ainda que desta vez mais externamente do que internamente e o grande nível de expulsões do país à cidadãos contrários ao regime, incluindo a célebre expulsão de Alexander Soljenítsin da URSS. Foi durante a gestão de Brejnev que o hino soviético recuperou sua letra e propagandas anti-imperialistas eram lançadas na imprensa. [6]
Durante esta época, a URSS conseguiu atingir seu auge político, militar e econômico, tendo grande influência em todo o mundo, desde a economia até os esportes.[7]
Unindo ao medo americano do avanço comunista, Brejnev conseguiu um dos maiores arsenais e o maior exército do mundo, o que levou a um medo de uma guerra próxima, que por conseqüência levou à tratados de paz, que junto de outras táticas de pacificação conseguiu se distender com o ocidente, ficando conhecido com o nome de distensão.[8]
Apesar de pacificar as coisas, diversas guerras a mando de Brejnev ocorreram, como a invasão da Tchecoslováquia em 1968, até a do Guerra do Afeganistão em 1979.[9]
Uniu-se com a Iugoslávia e denunciava freqüentemente a aproximação chinesa com os Estados Unidos, mas por final, acabou entrando em consenso com a China em uma neutralidade. Na política interna, Brejnev permitiu a emigração de judeus para Israel, alegando que o correto era manter os problemas longe.[10]
Visitava fábricas, casas e fazendas para cumprimentar os cidadãos e perguntar como iam as coisas, e sempre dizia que podiam suportar tudo, em exceção da guerra.[11]

Brejnev assiste a uma parada na Alemanha Oriental junto a Erich Honecker
Richard Nixon e Leonid Brejnev discutem: Os anos Brejnev foram caracterizados por muitas discussões e diplomacia

Brejnev sempre valorizava o interesse da classe trabalhadora, e dificilmente negou pedidos e sugestões do proletariado soviético.[11]
Sob sua gestão, a saúde e educação se tornaram prioridades, mantendo erradicado o analfabetismo e dando saúde, remédios e atendimento médico para todos os cidadãos, inclusive estrangeiros. A taxa de cidadãos abaixo da linha de pobreza durante sua gestão era de 1,5%. A Rússia nunca mais chegou até este nível.[12]

Estabilidade e Estagnação

Entre 1956 e meados dos anos 1970, a União Soviética atingiu seu auge geopolítico e tecnológico. Foi a fase de maior crescimento econômico, envolvendo o esforça da reconstrução pós-II Guerra Mundial e a competição com os EUA no início da Guerra Fria.
Entretanto, a partir do final dos anos 1970 começam a ficar claras as limitações do modelo soviético de economia planificada.

A crise do petróleo dos anos 70 elevou a economia soviética, podendo o povo, em pleno regime socialista, consumir mais, muitas famílias puderam comprar novas tecnologias a mais, automóveis, fornos microondas e aparelhos eletrônicos, não eram novidade para muitos, mas mais de um automóvel e diversos aparelhos eletrônicos eram um sonho que dependiam de muita economia, e que agora tornava-se realidade para muitas famílias, dando um conforto material muito maior, sem ferir os princípios socialistas. O bem estar foi tanto, que as autoridades soviéticas chegavam a dizer que os países capitalistas estavam em crise.[12]
Por este profundo desenvolvimento econômico, político e militar, a economia soviética acabou estagnando no final dos anos 70, mas tal estagnação nem sequer chegava a ser classificada como crise, e nem previa que mais tarde, esta pequena estagnação se transformaria em uma crise profunda a ponto de desestruturar a economia soviética.
Como a estagnação dos anos 1970 se transformou em uma crise profunda nos anos 80 a ponto de desestruturar a economia soviética é objeto de discusões até os dias de hoje. A comparação com a China que realizou uma transição mais bem sucedida para o capitalismo tem auxiliado a avaliar melhor o peso dos fatores estrutrurais e cojunturais nesta crise.[13]

Em termos estruturais a economia planificada talvez tenha sido a principal responsável pela crise, pois exigia que tudo que fosse produzido em todos os setores da economia estivesse planejado nos planos quinquenais. Na prática isto criava distorções, como excesso de determinados produtos (indústrias de base e de bens de capital) e escassez de outros (bens de consumo). Quando a produção de determinado produto era insuficiente para atender o consumo, ao invés dos preços subirem até inibir a demanda (como costuma ocorrer em uma economia de mercado) os produtos simplesmente se esgotavam e desapareciam da lojas e prateleiras dos supermercados.

Gerald Ford assina o acordo SALT I com Leonid Brejnev em 29 de Novembro de 1974
Jimmy Carter e Leonid Brejnev assinam o SALT II em 18 de junho de 1979 em Viena

Na prática os planos quinquenais tornavam a economia pouco flexível para enfrentar as flutuações de mercado internas ou externas. Quando havia uma seca ou problema na agricultura, e a produção de um determinado produto, por exemplo trigo, era inferior ao planejado, isto gerava uma série de problemas, pois faltava farinha e pão, e as metas de produção destes produtos também não era atingida.

A economia planificada também acabou sendo direcionada para o fortalecimento dos setores industriais mais tradicionais, que tinham mais capacidade de lobbie junto à burocracia do partido. Assim, as grandes estatais, por exemplo do ramo siderúrgico, conseguiam mais verba para expandirem sua produção, mesmo quando havia excesso de aço na economia soviética. Os setores de bens de consumo tammbém eram relegados ao segundo plano e recebiam menos investimentos em tecnologia. A maior parte da inovação tecnológica ficava concentrada nos setores bélico e aeroespacial, e diferentemnte dos Estados Unidos, onde as tecnologias duais eram transferidas para o setor civil (onde geravam novos produtos), na URSS as inovações eram tratadas como segredo de Estado e não contribuiam para dinamizar a economia. Em suma, os planos quinquenais acabavam priporizando o setor da indústria bélica em detrimento dos setores civis.

No início dos anos 80, Com Leonid Brejnev em uma saúde precária, o poder do país já acaba sendo dividido e exercido entre Iuri Andropov e Konstantin Chernenko, que mais tarde se tronariam os sucessores de Brejnev. Os anos de Andropov e Chernenko seriam caracterizados pela continuação da política de Brejnev, um extremismo comunista, uma melhora na saúde e educação e repressão nos movimentos anti-comunistas nos países do leste, alguns acreditam que o regime de Chernenko fora mais repressivo do que o de Brejnev, mas ambos os regimes tiveram uma grande opressão à movimentos que se opussessem ao comunismo muito semelhantes à Stálin.[12]

A crise nos anos 1980

A estagnação econômica e os gastos militares excessivos crescentes começavam a comprometer os bons indicadores sociais e o crescimento econômico, as taxas de crescimento econômico, que nos anos 1950-1960 variaram de 5 a 8%, caiam para menos de 3%, até atingir crescimento zero na primeira metade dos anos 1980. Em 1980 a URSS deixa de ser a segunda maior economia do mundo e é ultrapassada pelo Japão. A estagnação econômica da União Soviética transformou-se em crise ainda nos anos 1970. Entretanto alguns fatores, incluindo a boa administração econômica das autoridades na época permitiram que a URSS mantivesse uma economia planificada por mais tempo. A distensão da Guerra Fria, promovida por Brejnev, permitiu alguma redução dos gastos militares. A alta dos preços do petróleo (1973 e 1979-1980) e das comodities agrícolas permitiu que o país conseguisse aumentar as exportações totais, principalmente em moeda forte. O aumento das exportações permitiu que a URSS continuasse a enviar ajuda militar e econômica aos aliados pobres (principalmente na África), ao mesmo tempo em que reinjetava recursos na economia nacional. Entretanto a mudança de estratégia dos Estados Unidos no fim dos anos 1970 e início dos 1980, com a retomada da Guerra Fria e da corrida armamentista, iria aprofundar a crise soviética.

Blindados soviéticos destruídos no Afeganistão.

Os custos militares da Guerra Fria já estavam insustentáveis para a URSS no fim dos anos 1970. O pais mantinha forças armadas de quase dois milhões de homens, sendo 1 milhão mobilizados na Europa Oriental. Quando a China se aproxima dos EUA nos anos 1970 e passa a ameaçar a URSS a situação piora. A China estacionou quase 1 milhão de homens nas fronteiras com a União Soviética, e para contrabalançar, esta teve que estacionar outro 1 milhão de homens na fronteira com a China. Os custos desta mobilização permanente começavam a se mostrar insutentáveis no início dos anos 1980 com o envolvimento soviético no conflito do Afeganistão.

A partir de 1978-1979 os Estados Unidos e alguns de seus aliados, como a Arábia Saudita, começaram a financiar e armar os mujahidins fundamentalistas islâmicos no Afeganistão, para que estes lutassem contra o governo socialista que havia se instalado neste país. Na prática os EUA criaram uma armadilha, que foi uma espécie de "Vietnã" para a União Soviética (nas palavras do então Conselheiro de Segurança do governo americano Zbigniew Brzezinski). Ou seja, uma guerra longa, com altos custos econômicos e humanos, sem chances de vitória, lutando contra um inimigo disperso e determinado, que recebia ajuda militar da outra superpotência rival.

Os custos da Guerra do Afeganistão (1979-1989) foram altíssimos para uma economia em crise como a soviética e acabaram tendo o efeito imaginado pelos EUA: estenderam ao máximo e desgastaram profundamente a capacidade econômica e militar da União Soviética. Aos custos da Guerra no Afeganistão somavam-se os custos crescentes da ajuda que o país tinha que enviar a países socialistas muito pobres e em guerra civil, como Angola, Moçambique e Etiópia, cujos governos enfrentavam o recrudescimento dos conflitos internos contra insurgentes apoiados pelos EUA.

Com a queda nos preços internacionais das comodities agrícolas, e principalmente do petróleo, entre 1984 e 1985, a URSS perdeu a principal fonte de divisas externas em moeda forte, e a crise se aprofundou ainda mais, pois o país não conseguia mais pagar suas importações

A situação torna-se desesperadora quando em 1986 ocorre o acidente na usina nuclear em Chernobyl, na Ucrânia. Além dos custos imediatos, o vazamento de radiação contaminou a produção agrícola de grãos da Ucrânia, considerada o "celeiro agrícola da União Soviética". A URSS passou a ter que importar comida e não tinha recursos econômicos para isso. Em uma economia rigidamente planejada isto significou o racionamento de alimentos básicos como pão. A situação de crise profunda abria caminho para o colapso.

Cidade fantasma de Pripyat com a usina nuclear de Chernobil ao fundo.


Segundo Angelo Segrillo [14][15], o fator militar não foi o fator principal da queda da URSS, pois o gasto soviético nesta área não cresceu significativamente, quando comparado com dados anteriores. A queda deveu-se principalmente a mudança do paradigma mundial de produção industrial, iniciado no início da década de 1970, passando do modelo Fordista, onde a produção era centralizada e com pouca flexibilidade, portanto mais adaptada ao modelo soviético, para o modelo Toyotista, descentralizado e flexível, incompátíveis com o modelo soviético de produção.

A tentativa de modernização acelerada da perestroika e da glasnost viria como proposta "salvadora" de Gorbatchov, mas não conseguiria mais reverter a crise.

A tentativa de modernização

Mikhail Gorbatchov foi o último dirigente soviético. Assumiu o cargo de secretário-geral da PCUS (Partido Comunista da União Soviética) em março de 1985, substituindo Konstantin Tchernenko, que faleceu naquele ano. O bom relacionamento com os membros do partido e a habilidade política foram fatores que credenciaram Gorbatchov a assumir o posto mais importante na hierarquia administrativa soviética. Defensor de idéias modernizantes, instituiu dois projetos inovadores: a perestroika (reconstrução econômica) e a glasnost (transparência política). Gorbachov acabou com a política Brejnevista, e iniciou a doutrina Sinatra, mencionando a canção My Way, do artista, que enfatiza que cada país deve seguir seu caminho, diferente de Brejnev, Chernenko e Andropov, que pensavam que cada país deveria se unir e seguir o mesmo caminho.


Com a Perestroika e a Glasnost a URSS conhece as bases do capitalismo: A propriedade privada e a liberdade de contrato.


A Perestroika, que teve início em 1986, foi concebida para introduzir um novo dinamismo na economia soviética, que passava por sérios problemas. Para que os setores econômicos do país tivessem uma expansão qualitativa e quantitativa, foram introduzidos mecanismos para estimular a livre concorrência (e acabar com o monopólio estatal), desenvolver setores secundários de produção (bens de consumo e serviços não-essenciais) através da iniciativa privada e descentralizar as operações empresariais. No campo, foi estimulada a criação de cooperativas por grupos familiares e arrendamento de terras estatais. A proposta também foi incentivar empresas estrangeiras a atuarem no país.

Na área política e social, a Glasnost pretendeu colocar novos paradigmas no modo de vida soviético. Para que a União Soviética tivesse um desenvolvimento forte e profícuo, era necessário colocar uma nova mentalidade em todos os segmentos da sociedade. Assim, a proposta foi de acabar com a burocracia política, combater a corrupção e introduzir a democracia em todos os níveis de participação política. A glasnost também libertou dissidentes políticos e permitiu a liberdade de imprensa e expressão.

Gorbachev em um dos seus encontros com o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan

O fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética

O ano de 1989 viu as primeiras eleições livres no mundo socialista, com vários candidatos e com a mídia livre para discutir. Ainda que muitos partidos comunistas tivessem tentado impedir as mudanças, a perestroika e a glasnost de Gorbachev tiveram grande efeito positivo na sociedade. Assim, os regimes comunistas, país após país, começaram a cair. A Polônia e a Hungria negociaram eleições livres (com destaque para a vitória do partido Solidariedade na Polônia), e a Tchecoslováquia, a Bulgária, a Romênia e a Alemanha Oriental tiveram revoltas em massa, que pediam o fim do regime socialista.

E na noite de 9 de Novembro de 1989 o Muro de Berlim começou a ser derrubado depois de 28 anos de existência. Antes da sua queda, houve grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta entre a Hungria e a Áustria, perto do lago de Neusiedl.

O muro de Berlim e o Portão de brandeburgo ao fundo em 9 de novembro de 1989.

Em 1990, com a reunificação alemã, a União Soviética cai para o posto de quarto maior PIB mundial. Este quadro piora rapidamente com a nova crise da transição para o capitalismo nos anos 1990, quando a Rússia cai torna-se o 15o PIB mundial. Entre 1987 e 1988 a URSS abdica de continuar a corrida armamentista com os Estados Unidos, assinando uma nova série de acordos de limitação de armas estratégicas e convencionais. A URSS inicia a retirada do Afeganistão e começa a reduzir a presença militar na Europa Oriental. O governo soviético pressiona aliados pela negociação de paz em conflitos como a Guerra Civil Angolana, onde os termos para o fim do conflito são estabelecidos em acordo com os EUA, Angola, Cuba e África do Sul. Esta nova postura também significou a redução de todas as formas de apoio (político, financeiro e comercial) que esta potência dava a regimes aliados em todo o mundo.

No plano interno, Gorbatchov enfrentou grandes resistências da oligarquia e dos burocratas partidários (os apparatchiks). A linha dura do partido via a postura de Gorbatchov no plano internacional como covarde e acusava-o de trair a URSS e o socialismo. Estes grupos eram contra a retirada do Afeganistão e defendiam que a URSS deveria intervir nos países da Europa Oriental que estavam passando por processos de democratização e abandonavam o socialismo, como a Polônia. Em 1991, setores mais belicistas do governo soviético defenderam que a URSS deveria ter apoiado o Iraque na Guerra do Golfo contra a coalizão de países liderada pelos Estados Unidos e passaram a criticar o governo Gorbatchov como fraco.

Gorbachov acabou destituído quando as repúblicas, lideradas pela Rússia já então dirigida por um antigo apparatchik de nome Boris Iéltsin, se rebelaram contra o governo central em Agosto de 1991. Esta tentativa de golpe de estado por parte da linha-dura do PCUS (incluindo Boris Pugo) foi fracassada por causa da resistência dos reformistas do Partido e pela resistência popular. Os novos líderes eleitos nas eleições de 1990, como Bóris Iéltsin lideram a resistência no plano regional, o que aprofunda as divergências entre o Estado Soviético (a União) e as Repúblicas. A derrota do golpe e o caos político que se seguiu agravou o separatismo regional e acabou levando à fragmentação do país (com 12 das 15 repúblicas declarando independência até dezembro). Em 21 de dezembro líderes de países assinaram um documento onde era declatada extinta a União Soviética. No dia de Natal de 1991 , em cerimônia transmitida por satélite para o mundo inteiro, Gorbatchov que estava á 6 anos no poder declara oficialmente o fim da URSS e renuncia a presidência e após isso, a bandeira com a foice e o martelo é retirada do Kremlin e a bandeira russa é colocada em seu lugar. A União Soviética se dissolveu oficialmente em 31 de dezembro de 1991 e a atual Federação Russa ficou conhecida como sua sucessora.

Formação da CEI, o fim oficial da União Soviética.


Comunidade dos Estados Independentes

Em 1991, a popularidade de Gorbachev estava em baixa, por causa da falta de resultados das suas reformas na tentativa de melhorar a vida da população. Nesse momento, setores do governo contrários às reformas, como membros da velha guarda do Partido Comunista e alguns militares, decidiram tentar dar um golpe de estado.

Os golpistas não contavam com a mobilização popular e com a liderança do presidente da república da Rússia, Boris Yeltsin. Depois de apenas três dias, a tentativa de golpe fracassou.

Gorbachev voltaria ao poder enfraquecido, por causa da ascensão de Yeltsin. O golpe também havia sido a gota d'água que faltava para o desmoronamento da União Soviética.

Uma semana depois, numa espécie de golpe branco contra Gorbatchev, os presidentes das repúblicas da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia, reunidos na cidade de Brest (Bielo-Rússia), criaram a Comunidade de Estados Independentes (CEI), decretando o fim da União Soviética.

Diante disso, James Baker, secretário de Estado norte-americano, declarou: “O Tratado da. União sonhado pelo presidente Gorbatchev nunca esteve tão distante. A União Soviética não existe mais”. De fato, em 17 de dezembro Gorbatchev foi comunicado de que a União Soviética desapareceria oficialmente na passagem de Ano Novo.

Mapa da CEI no mundo


No dia 21 de dezembro, os líderes de 11 das 15 repúblicas soviéticas reuniram-se em Alma Ata, capital do Casaquistão, para referendar a decisão da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia e oficializar a criação da Comunidade de Estados Independentes e o fim da União Soviética. Gorbatchov governava sobre o vazio. O fim da União Soviética se aproximava, deixando perplexo o mundo inteiro. Em 17 de dezembro de 1991, Gorbatchev era informado de que a União Soviética deixaria de existir na passagem do ano. Antecipando-se em alguns dias, o idealizador da Perestroika renunciou no dia de natal de 1991. Participam da CEI 11 das 15 repúblicas soviéticas (Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Casaquistão, Quirguistão, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Ucrânia e Uzbequistão).

Economia

Antes de 1917, a União Soviética era essencialmente uma região agrícola. Tinha muitos recursos naturais, mas não estava equipada para pôr em prática os planos de Lenin para a implantação do socialismo. Mesmo por que o país estava totalmente arrasado por causa da revolução e da guerra civil. Lenin implementou a Nova Política Econômica (NEP), que recuperou alguns traços de capitalismo para incentivar a nascente economia soviética. Após a morte de Lenin e a subida de Josef Stalin no poder da URSS a NEP foi extinta e a economia nacionalizada totalmente. Após as nacionalizações, a economia foi planificada, de modo a que esta pudesse tirar proveito da sua nacionalização. De 5 em 5 anos passou-se a realizar planos quinqüenais, nos quais se decidiam que fundos seriam aplicados e em que áreas.


Nota de um rublo da União Soviética (1961)

Após 1945 a URSS iniciou um surto de progresso econômico e nas décadas de 50, 60, 70 e 80 a economia soviética era a segunda maior economia do planeta atrás apenas dos EUA. Entretanto, esse surto econômico da URSS durou até a década de 70. Durante toda a década de 70 a economia soviética se mostrou estagnada. Em 1980 a economia soviética estava em crise, que perdurou até o seu fim em 1991. Em 1985 surge a perestroika e a glasnost, programas de reformas feitos pelo então presidente soviético Mikhail Gorbatchov. Essas reformas visavam reestruturar a URSS tanto na economia quanto na sociedade. Mas os efeitos foram contrários do que Gorbatchov previu e essas reformas acabaram por levar a URSS ao seu fim irreversível, em 1991.

A URSS sublinhava sempre a sua natureza comunista. Toda a produção, comércio, serviços, ação social, desportos e a maioria da habitação urbana estavam nas mãos do Estado. Os soviéticos, segundo dados de 1985, usufruíam de um rendimento anual per capita de 7 400 US$. A União Soviética estava em crise econômica, mas ainda tinha uma economia poderosa. O seu PIB em 1985 foi de 1,2 trilhão de dólares.

Legado Militar

A União Soviética produziu equipamentos militares que são usados e reverenciados até os tempos atuais. Entre eles estão o fuzil AK-47 e o caça MiG-29. Deixou também uma grande quantidade de bombas atômicas à Federação Russa que especula-se manter em estoque 37 ogivas apenas herdadas do regime soviético. A estrutura física militar da Russia é em sua maioria também herdada do antigo regime. Deixou também muita sucata o que levanta debates em ecologistas em como armas químicas e biológicas são dispensadas no meio ambiente. A URSS sempre foi uma potência militar, seu Exército, foi o responsável pelo suicídio de Adolf Hitler e por grande parte das exterminações dos nazistas na 2ª Guerra Mundial. O Exército Vermelho venceu muitas batalhas, ele foi um exército muito bem armado, ele era composto por praças e oficiais preparados para o combate.

Geografia

Mapa topográfico da União Soviética.

A URSS era o maior país do planeta, ou seja, a sua paisagem era muito variada de região a região. Ao norte, o litoral ártico é o domínio da tundra. Ao Sul da tundra estende-se o domínio da floresta boreal (taïga).Mais ao Sul ainda, a floresta enriquece-se de árvores com muitas folhas, que cobrem principalmente a parte oriental da planície europeia bem como o Sul da Rússia extremo-oriental. Para o Sul, a floresta degrada-se e se torna um estepe com poucas áreas com montanhas. Ainda há desertos no sul do país. E na parte européia desenvolve-se sobre terras pretas muito férteis várias plantas de clima temperado.

Política

O governo da União Soviética implementava as decisões tomadas pela principal instituição política do país, o Partido Comunista da União Soviética (PCUS).

No final dos anos 1980, o governo parecia ter muito em comum com os sistemas políticos das democracias liberais. Por exemplo, a constituição soviética estabelecia todas as instituições do governo e concedia aos cidadãos uma série de direitos políticos e civis. Uma casa legislativa, o Congresso dos Deputados do Povo, e sua comissão legislativa permanente, o Soviete Supremo, representavam o princípio da soberania popular. O Soviete Supremo, cujo presidente eleito servia de chefe de Estado, supervisionava o Conselho de Ministros, que exercia o poder Executivo. O presidente do Conselho de Ministros, cujo nome era aprovado pelo Soviete Supremo, por sua vez, atuava como chefe de Governo. O poder Judiciário, previsto na constituição, era formado por um sistema de tribunais encabeçado pela Suprema Corte. Conforme a constituição soviética de 1977, o governo possuía uma estrutura federativa, o que dava às repúblicas certa autonomia quanto à implementação de políticas e oferecia às minorias nacionais uma aparente participação na administração de seus próprios assuntos.

Na prática, porém, o governo diferia consideravelmente dos sistemas ocidentais. No final dos anos 1980, o PCUS exercia muitas das funções geralmente atribuídas aos governos de outros países. Por exemplo, o partido decidia as políticas a serem aplicadas pelo governo. Este apenas ratificava as decisões do partido de modo a conferir-lhes uma aura de legitimidade.

Líderes da União Soviética


  • Presidentes do Presidium do Soviete Supremo (Chefes de Estado)
Gorbachev no Fórum Urbano Mundial Barcelona/2004. Fonte: Antônio Milena/ABr


Feriados

Data Nome em português Nome local Observações
1º de janeiro Ano Novo Новый Год Início do novo ano civil
23 de fevereiro Dia do Exército Vermelho День Советской Армии и Военно-Морского Флота Revolução de Fevereiro (1917) e Formação do Exército Vermelho (1918)
Atualmente é chamado de День Защитника Отечества
8 de março Dia Internacional da Mulher Международный Женский День
12 de abril Dia do Cosmonauta День космонавтики O dia que Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem no espaço, em 1961
1º de maio Dia do Trabalho Первое Мая - День Солидарности Трудящихся
9 de maio Dia da Vitória День Победы Fim da Segunda Guerra Mundial, marcada pela conquista soviética da Alemanha nazista em 1945
7 de outubro Dia da Constituição da URSS День Конституции СССР Dia em que a constituição de 1977 foi aprovada
7 de novembro Revolução Socialista do Grande Outubro Седьмое Ноября Revolução de Outubro (1917). Era chamado День Примирения и Согласия

Hinos

Nomes oficiais

Os nomes oficiais da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas nos diversos idiomas das repúblicas integrantes:

Idioma Abreviatura Nome Nome resumido
Russo СССР Союз Советских Социалистических Республик Советский Союз
Ucraniano СРСР Союз Радянських Соціалістичних Республік Радянський Союз
Bielorrusso СССР Саюз Савецкіх Сацыялістычных Рэспублік Савецкі Саюз
Uzbeque СССИ Совет Социалистик Республикалари Иттифоқи Совет Иттифоқи
Cazaque ССРО Советтік Социалистік Республикалар Одағы Советтер Одағы
Georgiano სსრკ საბჭოთა სოციალისტური რესპუბლიკების კავშირი საბჭოთა კავშირი
Azeri ССРИ Совет Сосиалист Республикалары Иттифагы Совет Иттифагы
Lituano TSRS Tarybų Socialistinių Respublikų Sąjunga Tarybų Sąjunga
Moldavo УРСС Униуня Републичилор Советиче Сочиалисте Униуня Советикэ
Letão PSRS Padomju Sociālistisko Republiku Savienība Padomju Savienība
Quirguiz ССРС Советтик Социалисттик Республикалар Союзу Советтер Союз
Tadjique ИҶСШ Иттиҳоди Ҷумҳуриҳои Сосиалистии Шӯравӣ Иттиҳоди Шӯравӣ
Arménio ՍՍՀՄ Սովետական Սոցիալիստական Հանրապետությունների Միություն Սովետական Միություն
Turcomeno ССРС Совет Социалистик Республикалар Союзы Совет Союзы
Estónio NSVL Nõukogude Sotsialistlike Vabariikide Liit Nõukogude Liit
Tártaro СССР Совет Социалистик Республикалар Союзы Советлар Союзы

Referências

Bibliografia

  • MEDEIROS, Carlos (2008) Desenvolvimento econômico e ascensão nacional: rupturas e transições na Rússia e na China. p. 173-273. in: FIORI, José L.; SERRANO, Franklin & MEDEIROS, Carlos A. (2008) O mito do colapso americano. Ed. Record: SP e RJ.

Ver também

Commons
O Wikimedia Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

Questions for article: dissidentes sovieticos, hino uniao sovietica russo, sovjet presidentes, união das repúblicas socialistas soviéticas (urss)

This article is from Wikipedia. All text is available under the terms of the GNU Free Documentation License.


IHS Europe: Infrared Heating Systems for Home and Business.